Deixa eu contar uma parte de minha história.
Sou filho de mãe solteira. Ela, que sempre pensou à esquerda, apaixonou-se pela voz de meu pai, que ouvia no rádio. Não sabia que ele era casado. Alguns anos depois terminou se envolvendo com ele. E desse relacionamento, eu vim ao mundo.
Eu tinha muito para dar errado. Principalmente pelo pouco convívio que pude ter com meu pai, que faleceu há dez anos. Dos seis irmãos que tenho – filhos dele -, conheci o primeiro quando tinha nove anos. Três irmãos moram em Natal – uma não fala comigo, com outro eu não convivo e o terceiro é muito querido e próximo a mim. Um irmão mora em Salvador e, ao morar dois anos na capital baiana, me aproximei enormemente dele. Esse tem três filhos maravilhosos que passaram as férias conosco aqui em Natal. A mais velha mora hoje em Porto Alegre.
Meu pai era petista. Chegou a ser candidato pelo partido.
O primeiro livro que eu li na vida foi Capitalismo para principiantes, que li quando minha mãe fazia a faculdade de ciências sociais. Logicamente, penso à esquerda também.
Estudei no Colégio das Neves com o sacrifício intenso de minha família. Ali, fui presidente do Centro Cívico no ano de 1994. Terminei meu mandato com uma frustração principal: não ter conseguido fundar um grêmio.
Até um determinado momento de minha vida, ela correu de maneira bastante independente da história do meu pai. Aliás, sempre tive a impressão que jamais conseguiria me atrelar à vida dele por vontade própria. Principalmente, por uma certa resistência de parte de minha família. Ser filho de meu pai jamais me facilitou a vida.
Passei no vestibular para jornalismo da UFRN. Na primeira colocação, com a graça de Deus. Na faculdade, conheci os primeiros amigos e colegas de meu pai – que passaram a me identificar como filho de quem eu era. Conclui a graduação no ano 2000.
Naquele instante, já evangélico, resolvi atender minha vocação religiosa e fui morar em Fortaleza a fim de fazer seminário. Deus me chamou para ser pastor. Por problemas bem pessoais, fui forçado a abandonar o curso na metade e voltei para Natal em dezembro de 2002.
Quando retornei, resolvi que queria voltar a estudar. Procurei a UFRN, o Departamento de Comunicação. Conheci o professor que veio a se tornar meu orientador, amigo e, posteriormente, padrinho de casamento. Após um ano como aluno especial de estudos da linguagem da UFRN, fui aprovado na seleção do mestrado em 2004. Fiz minha pesquisa de mestrado sobre as relações intersubjetivas virtuais na leitura e escrita de blogs, analisando dados colhidos no Blog do Tas. Defendi minha dissertação em março de 2006, sendo aprovado.
Um pouco antes, em dezembro de 2005, fiz concurso para a Petrobras. Fiquei em trigéssimo terceiro lugar em um certame nacional. Em maio, dois meses após concluir o mestrado – e depois de uma brevíssima experiência de professor substituto no Decom da Paraíba (um mês) -, fui convocado pela empresa. Assinei contrato no dia 3 de julho – acabo de completar o terceiro ano na empresa.
Fiquei, primeiro, quatro meses no Rio de Janeiro. Depois, fui trabalhar em Salvador, na Universidade Corporativa da Petrobras. Namorava Kênia e, há dois anos, nós nos casamos. Ela teve dificuldades em Salvador – que considero uma cidade fabulosa -, resolveu voltar. Então, ano passado consegui a transferência para Natal. Estou de volta desde outubro. E em novembro nasce minha primeira filha, Alice.
Em 2007, um pouco antes de voltar, passei na seleção do doutorado em estudos da linguagem da UFRN. Agora, pesquiso, entre outras coisas, os impactos que as mídias digitais, especialmente os blogs, provocam no jornalismo convencional. Para isso, tenho lido muito ultimamente Bakhtin e Foucault.
Entre o fim do ano passado e o início desse ano fiz duas seleções para ser professor. Na UFRN, fui aprovado mas fiquei em segundo lugar, com alguma esperança de ser convocado e empossado. Na UnP, fui selecionado. Então, desde o primeiro semestre, sou docente nos cursos de comunicação da Universidade Potiguar.
Na militância social, além da atividade na igreja da qual sou membro, me envolvi com movimentos de direitos humanos desde 2005 o que me conduziu à filiação ao PC do B.
Tenho recebido convites para palestras (como na Feira do Livro de Mossoró ano passado) ou debates (como do Substantivo Plural esse ano) e não é porque sou amigo de ninguém ou filho de meu pai ou minha mãe. É resultado de meu trabalho e ativismo. O emprego que tenho não devo a nenhum padrinho. Os cursos que fiz. A vida acadêmica que desenvolvo.
Sou devedor, sim, de várias pessoas. De minha mãe e minha tia que se esforçaram para me dar educação. A minha professora de geografia no Neves que me possibilitou fazer o vestibular, uma vez que eu não tinha o dinheiro de pagar a inscrição (era bolsista em todo segundo grau). O meu orientador, amigo e padrinho. A muita gente.
Não devo nada a Alex Medeiros. Ele não paga minhas contas. Não me ajudou em nada a que eu chegasse onde estou. Aliás, nem me conhece. Ele tem um ódio ferino à academia e a quem pensa diferente dele. Uma doença contra a esquerda, o PT e o presidente Lula. Contra homossexualidade e lutas sociais. Se não fosse leitor de Foucault, acho que diria que ele precisa de terapia – tenho a impressão que a doença dele é a inveja. Talvez uma inveja motivada por não ter conseguido adentrar no discurso da ciência – sei lá.
Além de tudo, é inadmissível para mim que alguém, para desqualificar o adversário, utilize como forma de xingamento uma expressão que se refira à homossexualidade. Como se homossexualidade fosse um defeito de caráter como canalhice ou estupidez. Representa a falta de respeito à alteridade da parte de alguém que pretende ensinar o que seja democracia aos demais. É um infante-infame, esse jornalista baba-ovo de poderosos.
A sua atitude é atitude clara de quem perdeu ou nunca teve os argumentos para debater: elimina o adversário na base da força. Mostra a própria fragilidade e estupidez. Digno de pena. Preferia um sujeito que se dispussesse a debater – não a atacar assim – desmoralizar. Mas nessas formas de discurso quem se desmoraliza é ele.
Alisson Almeida disse
Daniel, o poblemas dessas pessoas é achar que todos estão à venda, como elas. Presumem que todos, como elas, só chegam a algum lugar babando o ovo dos poderosos.
Dia desses, um medíocre disse que eu era “frustrado” porque, segundo ele, não consegui nada desde que me formei (2007). Para o patife, jornalismo é só uma ferramente para se dar bem. Respondi que não me vendo e não me rendo. Eles não entendem isso.
denilson disse
Eu ñ acho nd disso !
danieldantas79 disse
Não entendi: com o que você não concorda?
Gustavo disse
É você quem tinha o blog do Caçador de Borboletas?
danieldantas79 disse
Sim, sou eu.
tete bezerra disse
Daniel bonita história de vida.Vc é um vitorioso,tudo que tem foi ganho na luta com muito suor.Admiro sua competência e integridade.Naquele dia que lhe conheci no lançamento do blog de Tacito só aumentou meu bem querer .Grande garoto,o mundo é mais ali,e vc tem todas as senhas,vai longe.Sua família deve ter muito orgulho de vc!
danieldantas79 disse
Obrigado, Tetê. Saiba que a recíproca é verdadeira.