Rubens Lemos, jornalista potiguar, me pôs no mundo. No início dos anos 70, exilou-se no Chile. Em Santiago.
Meu pai era liderança do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário). Caiu na clandestinidade quando um aparelho do PCBR foi desmantelado em Recife e uma lista de aparelhos no Nordeste foi parar nas mãos da repressão. Entre eles, um aqui próximo a Natal do qual meu pai era fiador. Imediatamente se viu obrigado a sair do mapa.
Anos mais tarde, foi preso porque foi descuidado. Veio ao Brasil para ajudar a tirar daqui um companheiro (provavelmente Silton) e trocar dólares da organização. Em São Paulo, encontra-se com Silton que lhe pede mais um mês, já que ia participar de uma ação conjunta entre várias organizações. Enquanto a ação aconteceria, meu pai voltou a Natal. Foi preso quando marcou uma troca de dólares, no Alecrim – próximo a região onde fica o Nordestão. Ação cinematográfica, com a agentes da repressão disfarçados de garis, inclusive. Meu pai foi preso e Silton morto na ação (em São Paulo).
Rubens não foi morto porque era afilhado do sogro do governador Cortez Pereira que, instagado pela minha família, pediu ao genro pela sua vida.
Fica preso na Colônia Penal João Chaves, de lá vai para o DOI-CODI em Recife. Mais de um mês de torturas intensivas, inclusive pelas mãos do próprio Delegado Sérgio Paranhos Fleury.
LUCIA IRENE REALI LEMOS disse
História contada, para sempre relembrada.
Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça!
Valeu , meu irmão! Tem muita história pra contarmos ainda…
Bjus, Lucinha tua irmã.
danieldantas79 disse
Escrevi esse texto, minha irmã, depois de assistir um programa de nossa TV Universitária, chamado Memória Viva. Entrevistaram alguém que disse que Rubens Lemos foi perseguido por ser um radialista de esquerda e que, sempre disse a ela, não fazia parte de nenhum movimento, partido ou organização clandestina…
Bjo.
Em novembro, Alice estará aqui. Esperarei sua visita.
Rubens Lemos disse
Quem deu entrevista ao Memória Viva foi a minha mãe e eu exijo respeito a ela,que comigo conviveu com Rubens Lemos na Ditadura. Você comete um erro brutal: O meu pai jamais se relacionou com Cortez Pereira politicamente nem dele precisou de favores. Se pesquisasse, saberia que se tratava de Radir Pereira, concunhado de Cortez. Tenha respeito com minha mãe como nós respeitamos a sua.