Operação Pecado Capital: Desembargadores do TJRN também foram citados em gravações

Posted on 14/09/2011

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– Ele botou a Sayonara, a de Saraiva?, pergunta Rychardson.

– Botou, botou também… a de Expedito também, respondeu Daniel.

É… por um lado é bom, conclui Rychardson.

Como bem percebeu Alisson Almeida, no post que reproduzo abaixo, Sayonara Saraiva é citada na petição do Ministério Público.  Ela é referida por uma testemunha como filha de um juiz.  Na verdade é filha do desembargador Saraiva Sobrinho.  Mas há outro nome citado no diálogo, Expedito.  No contexto, compreende-se que se refere ao desembargador Expedito Ferreira.  Alarmante.

A conclusão que Rychardson faz do fato de que a filha do desembargador – que recebia como estagiária e contratada ao mesmo tempo – ser relacionada na investigação (por um lado é bom) me soa como se isso fosse uma garantia da própria impunidade e que o assunto não seria aprofundado, por envolver dois desembargadores.

Cada vez que a gente presta atenção nos detalhes desse caso mais percebe que tem um potencial ainda maior que pudesse parecer ontem.

Do Embolando Palavras

A filha do desembargador Saraiva Sobrinho, presidente do TRE do RN (Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte), Sayonara Rosado da Costa Saraiva, era uma das funcionárias fantasmas na folha de pagamento do Ipem. A contratação de fantasmas era uma das formas usadas pela “organização criminosa” liderada pelo ex-diretor do órgão, Rychardson de Macedo Bernardo, para desviar recursos públicos da autarquia estadual.

O nome de Sayonara Saraiva é citado nas páginas 5 e 21 da petição do Ministério Público à Justiça. Na primeira, ela aparece como depoente, falando sobre os vínculos entre Rychardson e outros três integrantes do esquema, Rhandson de Macedo Bernardo (irmão de Rychardson), Daniel Vale (advogado, ex-coordenador jurídico do Ipem) e Aécio Fernandes (“testa de ferro de Rychardson”).

Na outra página, ela é mencionada na transcrição do depoimento de Laila Cristiane Nagib, segundo quem “SAYONARA ROSADO DA COSTA é filha de um juiz e ganhava no IPEM tanto como estagiária como funcionária (que ela dava expediente apenas como estagiária e em 2009 já tinha acabado seu estágio há muito tempo)”.

Aos poucos, vai sendo desenhada as ligações entre os afilhados que recebiam sem trabalhar do Ipem e seus respectivos padrinhos “politicamente influentes”. Falta saber, ainda, quem são Lauro e Fernando, citados nos áudios da operação, divulgados pelo MP.

Além disso, falta esclarecer se Marcos Maia, outro funcionário fantasma mencionado na petição, é ou não ligado ao deputado federal João Maia (PR), como cogitado na peça. O jornalista Daniel Dantas publicou em seu blog que Daniel Alves Bezerra, preso na “Pecado Capital”, foi candidato a vereador em Rio do Fogo pelo PR, em 2008. É uma pista.

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