@maureliomello: Juntando os "Cacos"3

Posted on 24/09/2011

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Por Marco Aurélio Mello
No Blog DoLaDoDeLá




“Encontraram novas ossadas no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Um repórter do local foi para lá e está trazendo o material. Como o JN vai dar, você pega o material deles, pede um arquivo e tenta resolver por aqui. O Caco foi para lá, mas vai chegar, gravar uma passagem e volta correndo. Não terá tempo para mais nada.” Foi a partir deste comando que editei meu primeiro vt, não sem um frio na barriga, de um dos mais importantes repórteres da televisão brasileira ainda em atividade na Globo. 
Os editores do Jornal Nacional que atuavam em São Paulo, quatro ao todo, geralmente editavam um vt por dia. Sempre que aparecia mais um, não raro, a coordenadora me escalava. Quero pensar que é porque eu era mais rápido, não porque havia um interesse em me sacanear. Sempre tentei ver as coisas por uma perspectiva otimista, hehehe.

Ainda que fosse o segundo vt do dia, editar o Caco era um presente. Gentil, delicado e respeitoso na relação profissional, o repórter sempre foi unanimidade. As colegas suspiravam por ele. Como era o único “menino” no meio de quatro “meninas” foram raras as oportunidades em que trabalhamos juntos. Não por acaso, sua editora preferida à época, Ana Escalada, é hoje diretora do Programa Profissão Repórter. Função que deve exercer com a mesma competência e empenho de tempos atrás.

O programa comandado por Caco é um projeto antigo do diretor-geral, Carlos Henrique Schroder. E foi a chance de Caco sair do dia a dia quando as coisas começaram a piorar lá dentro. Schroder teve papel importante no sentido de blindar profissionais que se ficassem expostos poderiam ser alvo de perseguição. Caco jamais concordaria em fazer o jornalismo que passou a ser feito a partir de 2005.

Assim como protegeu Caco, Schroder também protegeu Carlos Dornelles levando-o para o Globo Rural, depois da crise de 2006, quando a cobertura política se transformou em campanha aberta pelo candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Aqueles que não tinham, nem tanta densidade histórica, nem um padrinho com tamanha envergadura, acabaram sucumbindo. Foi o caso do Azenha, que fez um acordo até o término do contrato e do Rodrigo Vianna, dispensado sumariamente. Isso para ficar apenas com os repórteres.

Outros bons repórteres, que também se opuseram ao tipo de jornalismo implementado passaram uma temporada ajoelhados no milho e agora estão voltando aos poucos, reassumindo seus lugares. Não posso citar nomes, infelizmente, para não prejudicá-los. Hoje, Stanley Burburinho perguntou para mim no twitter se eu acredito que as coisas estejam mesmo mudando. Respondi que assim que houver algum grande interesse corporativo em jogo o departamento de jornalismo voltará a ser requisitado para fazer o serviço sujo.

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