Pausa para a família e a beleza do amar

Posted on 28/09/2011

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Família, para o bem ou para o mal, devia ser sinônimo de vida.  Fui criado num lar eminentemente feminino – mulheres muito fortes me educaram.  Religioso, sempre me perguntei qual o motivo de algumas coisas que acontecem em famílias – mesmo na sua formação.
Evidentemente, merece todo o destaque a luta de minha mãe.  Não porque tenha sido xingado nos últimos dias com termos ofensivos contra ela, o valor do que ela fez por mim é daqueles que ficam eternamente registrados nos caminhos estelares.
Minha mãe me educou virtualmente sozinha, servidora pública municipal assalariada.  Muitas vezes vi minha mãe deixar de comer um bife no almoço para que eu pudesse comer.  Vi minha mãe vendendo desde bolos e lasanhas até lingerie para complementar o dinheiro para as contas do mês.  Por isso aquela bola de futebol que eu sempre quis ter nunca tive.  Nem autorama, ou ferrorama.
No dia em que conheci o pastor Marcos Monteiro, meu primo e sobrinho de meu pai, ele a elogiou.  De novo, quando a conheceu muitos anos depois, lá em Salvador, ele ressaltou que a fama de batalhadora de minha mãe a precede entre os que nos conhecem ou à nossa família.
Família é tudo para mim.
Tive a maior alegria da vida quando, finalmente, pude conhecer meus irmãos e, então, conviver com eles. Praticamente não havia um só dia em que não ligasse ou estivesse com eles.  Ia jogar bola na praia com Camilo.  Aprendi tudo sobre Steve Ray Vaughan com ele – que tinha um gato com esse nome.  Quem o ouviu tocando blues pensa no chorinho da Catita hoje.
Aprendi sobre Chico César e tive excelentes orientações sobre namoradas que começavam a aparecer de minha irmã Yasmine.  Aprendi sobre jornalismo e li o melhor livro reportagem da minha vida – Rota 66, com Rubinho.
Aprendi sobre política e a história de meu pai com Lucinha.  Sofri a sua dor com as dores que carrega – distância dos filhos, netos e a saúde de sua mãe, primeira esposa de Rubens Lemos.  Amei o carinho afetuoso de minha irmã mais velha, avó de dois netos.
Com Fabinho, ri das piadas, entendi como funciona a administração de um partido no poder. E como suportar mulheres chatas.
A minha convivência mais intensa foi com Marcos nos anos que morei próximo a ele em Salvador.  Tudo que sei sobre luta política, estratégia, além da dor das vitórias e derrotas dos sonhos, sei de Marcos.
Já ri muito e já chorei muito com meus irmãos.  Já me vi impotente sem poder fazer nada para ajudá-los.  Já fui muito ajudado por cada um deles.  Já me afastei e já fui xingado por alguns.
Não há dor insuperável nas famílias.  Sempre vêm as novas gerações.
Amei Kênia e me casei com ela.  Já passamos por alegrias incontidas e dores insuportáveis.  E vamos construindo nossa vida.  Amando nossa vida e nossa família.  E trazendo a novidade para cada um de nós.
Fazemos parte da etapa em que a família se renova.  Em 2006 conheci a menininha que mais amei em minha vida até ali.  A primeira sobrinha de quem dei conta.

Quando Alice foi gerada, lutando por sobreviver, no ventre da mãe, comecei a me perguntar – sinceramente – sobre como seria meu amor por ela.  O parâmetro era alto – Giulia, filha de Marcos, neta de Rubens Lemos.
Que ilusão a minha! Ninguém sabe o que é amar enquanto não amar um filho.  Aprendo isso todos os dias com Alice – quase gêmea da prima mais velha.  A genética de Rubens Lemos pode explicar isso.

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