Ética de um fake

Posted on 30/09/2011

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É evidente que existem fakes e fakes.  Preciso fazer esse alerta inicial para não parecer injusto.  Existem personagens criados como sátiras ou simples piadas nas redes sociais – em particular o twitter.  Exemplos muitos podemos citar apenas aqui em Natal, desde o mais famoso de todos, o @pintanatalense até o novíssimo @rosamurcha, que satiriza a governadora Rosalba Ciarlini.
Fakes como esses são virtualmente inofensivos.  Expõe, por exemplo, adversários políticos, mas todo mundo sabe que é um fake – um personagem falso criado com um fim.
O problema reside nos fakes que são usados como armas – os trolls.  Para mim é espantoso como os trolls costumam expor as éticas tortas de alguns santarrões que espirram ética e moral pela Internet.  São tão éticos, tão donos de todas as verdade, que terceirizam o jogo mais sujo em personagens fictícios, criados com esse fim.
Encontrei um troll esta semana.  Seguido por mais de 80 crédulos.  É fácil descobrir um troll?  Depende.  Esse em particular foi criado com desleixo e, mesmo existindo há pelo menos três anos, traz em si as marcas de uma criação mal feita.
Como posso ter certeza de que se trata de um troll?
Em primeiro lugar, o personagem em questão assinava um blog em 2008.  Para quem for de Natal, certamente se lembra do Xeléleu.  O Xeléleu saiu do ar três vezes entre maio e junho de 2008.  A primeira vez, quando dois blogueiros ameaçaram revelar sua real identidade.  Na segunda vez que saiu do ar, a sua última postagem foi, segundo nota de Ailton Medeiros, em 29 de maio de 2008. Pois o blog que a tal personagem assinou existiu apenas no mês de junho de 2008.  A última postagem foi em 03 de julho de 2008.  O Xeléleu retornou em 12 de junho com um post que dizia que ele se lembrara de um filme: “Duro de matar”.  E sem o arquivo anterior, supostamente deletado por hackers.  Os estilos do Priziaca e do Xeléleu indicam, a mim pelo menos, que se tratam do mesmo autor.  Um blog continua o outro, com a diferença que o Priziaca protege menos aqueles que eram protegidos pelo Xeléleu.
O segundo ponto é que o personagem em questão não existe na rede, a não ser em escassas referências em comentários de blogs e no perfil do twitter e no blog referido acima.  Evidentemente ele faz referências a terceiros no que tuíta, diz morar em São Paulo para contextualizar sua existência.  Mas comete erros.  Por exemplo, dizer que foi ao cinema assistir a um filme à noite cuja sessão – única – era às 14h.  Mesmo a foto que utiliza só existe, segundo o novo recurso de pesquisa de fotos do Google, associada àquele perfil do twitter.  E nenhuma outra imagem e nenhum resultado de pesquisa está associada ao nome da foto – ou à própria personagem.
Em terceiro lugar, o troll só interage quando é o interesse do seu criador.  Este troll em particular entrou no twitter em 16 de junho de 2009, poucos dias antes de que o blog do Xéleleu saísse do ar definitivamente.
A tabelinha entre este troll e o seu criador – um supostamente decente e sério jornalista da taba -, indica também a identidade por trás do falecido Xéleleu.  Um não tão ético nem tão inteligente jornalista potiguar.

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Posted in: Alex Medeiros