Rômulo Lemos é indiciado pela polícia civil

Posted on 28/10/2011

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Do UOL

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte encaminha nesta sexta-feira (28), ao MP (Ministério Público Estadual), o inquérito que investigou a agressão contra a estudante de direito Rhanna Umbelino Diógenes, 19, em uma boate de Natal.
Segundo o delegado Francisco Quirino Filho, o comerciante Rômulo Lemos do Nascimento, 22, acusado de quebrar o antebraço da jovem, foi indiciado por “lesão corporal grave”. Caberá agora a promotoria da 2ª Vara Criminal definir se oferece ou não denúncia à Justiça.

Após o depoimento de Rômulo nesta quinta-feira (27), na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher da Zona Sul, Quirino disse não ter dúvidas de que o acusado teve a intenção de machucar a estudante quando ela teria recusado um beijo do rapaz na pista de dança da boate.

“Todos os depoimentos batem com as imagens das câmeras. Tudo começou com um assédio dele. Ela estava num sofá quando ele chegou, pegou no braço dela e pediu um beijo. Ela recusou, ele soltou um palavrão e saiu. Depois o acusado a encontrou novamente e iniciou a discussão. Ele segurou o braço da garota e saiu correndo depois que ela caiu. Se não tivesse noção da gravidade da lesão e não fosse intencional ele não teria saído correndo, pois quase ninguém na boate viu o que aconteceu”, afirmou ao UOL Notícias.

Quirino ressaltou ainda Rômulo tem histórico de agressão, relatados em depoimentos de oito mulheres que denunciaram violência do comerciante. “O processo da ex-companheira que trata de violência doméstica é um caso. Oito mulheres vieram à delegacia nos últimos dias informar que foram agredidas e contaram que só tiveram coragem após saberem do caso da boate.”
Acusado fala pouco e chora

Segundo o delegado, durante o interrogatório Rômulo se recusou a responder quase todos os questionamentos e afirmou que só vai falar em juízo. “Ele alegou que o advogado de defesa [Durvaldo Varandas] não teve acesso aos autos investigatórios a tempo de elaborar a defesa e só iria falar perante o juiz”, contou Quirino, que disse que desde o dia 18 que a peça investigatória estava à disposição do advogado.

“Eles que deram várias desculpas para não vir buscar. Não temos a intenção de prejudicar ninguém e jamais dificultamos a entrega das cópias de qualquer documento a advogado.”

O delegado contou que Rômulo reconheceu que “deu em cima de Rhanna”, mas que não teve a intenção de quebrar o braço da jovem. “Ele chorou muito e ainda causou confusão na saída porque não queria ser fotografado. Tentou até colocar uma camisa no rosto, mas acabou saindo de boné, óculos escuros e de cabeça baixa”, contou.

Defesa fala supressão

O advogado de Rômulo, Durvaldo Varandas, alegou ter tido dificuldades para conseguir cópias dos autos. Segundo ele, desde a semana passada tentou obter cópia dos documentos, mas a delegacia não teria disponibilizado.

Varandas disse antes do início do depoimento de Rômulo, que orientou o cliente a só falar em juízo porque “obteve em cima da hora uma parte dos autos”. “Observei que algumas páginas dos autos foram suprimidas. Também não tive acesso às imagens sem edição. Dessa forma, orientei meu cliente a só falar diante do juiz”, disse.

Para o advogado, o fato de Romulo ter ficado calado na delegacia não vai o prejudicar num futuro processo. “Apenas a opinião pública, que é leiga, pode ficar julgando que ele não falou porque ‘tem culpa’. Mas isso não é verdade”, afirmou.

A defesa de Rômulo alegou ainda que o comerciante fugiu porque “temeu ser linchado pelos amigos da estudante”.

Varandas disse ainda que desde o episódio na boate que o cliente dele vem sofrendo ameaças. “Seu eu soubesse quem vem ameaçando Rômulo já teria tomado providências, pois ameaça é crime. Ele vem recebendo ligações de telefones com prefixo 011, 021, 091 e também de números confidencial e ele não sabe quem é. A ameaça que ele sofreu logo após os fatos na boate, essa ameaça nós sabemos quem é. Que tem como suposto autor alguém ligado a ela, ex-namorado, namorado, ficante.” O caso está sendo investigado pela 2ª delegacia de Parnamirim.

O advogado ainda informou que tentou um habeas corpus na Justiça, para evitar um possível pedido de prisão, mas não teve a solicitação aceita. “O juiz se manifestou dizendo que não há motivo para prisão. Eu pedi porque alguns meios de comunicação estavam dando ele como foragido, mas isso não era verdade. Ele vem sendo ameaçado constantemente”, afirmou.

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