Professor carioca dissemina ódio e faz apologia à morte de Lula

Posted on 02/11/2011

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Por Binah Ire
No Blog Náuseas

Como todos sabem, após o diagnóstico de câncer do Ex-Presidente Lula na semana passada, as redes sociais multiplicaram “campanhas” desejando que Lula se tratasse no SUS, ou propagando a teoria de um “castigo” e até mesmo desejando a sua morte como “punição”.
Não vou argumentar a respeito do uso do SUS, desdenhá-lo para mim já reflete o desconhecimento a respeito do sistema de saúde brasileiro, modelo da Organização Mundial da Saúde. Reflete a lamentável carência do brasileiro em se interessar pelos temas coletivos. Sempre digo que reclamar sentado na frente do computador pode aliviar o seu stress mas não muda quase nada na vida prática.

Se é pra exercer cidadania, precisa mais que “campanha” no Facebook ou Twitter, que são apenas meios, e não fins. Mudança só se faz com luta e coragem de enfrentar a comodidade de não fazer nada. Mudança se faz cobrando gestão eficiente do Sistema pelos Estados e Municípios, procurando participar mais das decisões públicas e claro, utilizando o SUS.

(Sugiro a leitura destes textinhos aqui e aqui, pra liberar do ranço “O SUS é uma merda”)

Sim, todos trabalhamos, estudamos, vivemos num sistema que nos permite muito pouco e quando conseguimos participar de uma manifestação, corremos o risco de acabarmos atrás das grades por “baderna” ou “vandalismo”. Mas ao menos prestar atenção no que ocorre na vida pública é um dever de todo cidadão, e todos estamos imbuídos deste dever.

Pois bem, você pode não gostar do Lula. Eu gosto muito dele, acho que é um ser humano como poucos e pela sua simplicidade poucos conseguem compreendê-lo em sua missão. Lula tomou para si o objetivo de tirar brasileiros da miséria, de eliminar a fome, e foi neste tema que focou seu trabalho e seu governo. Depois de décadas de descaso, Lula começou, com muito esforço, muita briga e muita luta, dar um pontapé inicial em um outro País. Mas você pode odiá-lo.

Eu mesma tenho minhas críticas ao Governo Lula, ao que ficou pendente, à educação que poderia ser mais, à própria saúde e a infra-estrutura do país que poderiam ter sido melhoradas ainda mais. Mas compreendo que toda esta cadeia de mudanças que esperamos estão além da pessoa Presidente, seja quem for. Depende de toda uma estrutura de Estado que sofreu desmontes inúmeras vezes ao longo da história. Temos que compreender isto.

O Brasil promissor nasceu com o Governo Lula, olhe em volta e ouse dizer que nada mudou. É difícil.

“Tá bom, que enjôo, tá discursando porque coisa chata?”

Bem, recebi por e-mail curioso material de uma amiga carioca, que se mostrou indignada com a postura de um professor (sim, professor), que resolveu mostrar toda sua face desumana e preconceituosa através da doença do Ex-Presidente Lula:

Márcio Nasser Medina comenta sua pérola: “O Lula sifu, deu o governo para a Dilma e recebeu a doença dela!”

Por onde começar? Primeiro, a tal “punição” ao Lula, que supostamente só está com câncer porque “palavras que saíram dali eram pura merda” (ai, meu anti-ácido…). Em seguida o cidadão emenda com um despautério, afinal quem “deu o Governo para a Dilma” foi o povo brasileiro, através do voto, e nem queria entrar nos detalhes sórdidos de se tratar desta forma uma doença que faz tantas pessoas sofrerem como o câncer, mas vou.

Meu avô morreu de um câncer no pulmão. Senti de perto, durante 9 meses, o sofrimento dele, da minha família, dos meus tios, minha mãe, que o cuidaram no hospital, de minha avó, que mesmo tendo dele muitas mágoas, jamais o abandonou naquele momento tão triste. Ontem, curiosamente, completaram-se cinco anos que meu querido avô faleceu, de câncer.

Mas mesmo que eu não possuísse esta experiência, qual é a graça em se tratar desta forma outro ser humano, por menos que se goste dele? Qual é o grande prazer em rir de algo que jamais acharíamos graça se fosse se abater em nossa família ou sobre nós mesmos? Não consigo compreender.

Não satisfeito com o comentário acima, e injuriado com os comentários contrários à sua posição, o professor Medina, que pelo que pude conferir dá aulas de Física em um colégio tradicional do Rio de Janeiro, continua sua saga:

Sim, você tem o direito de se expressar, mas incitamento ao ódio e à violência é crime previsto pela nossa Constituição federal, e pelo meu humilde entendimento, desejar a morte de quem quer que seja caracteriza estes crimes. Se não for assim, é no mínimo ignorante tal posicionamento de quem supostamente, através desta “campanha”, deseja que o País se moralize, combata a impunidade e melhore seus serviços.

(E o Antônio Carlos Magalhães já morreu, não dá pra desejar que ele morra de novo né?)

Novamente questiono este posicionamento de que a liberdade de expressão é um vale-tudo imoral de dizer impropérios de toda sorte. E é no mínimo de mau-gosto um professor, que tem por função primordial educar seres humanos, ensine-os através do exemplo que o ódio e o desejo de morte sejam ferramentas de cidadania, posto que não o são.

Mas sigamos ao que mais me chamou atenção neste furdunço todo:

(Ai, minhas bruxas…)

Um professor, defensor de melhorias na saúde para os “Joões” (confira aqui o rosário todo) que não tem oportunidade de pagar plano de saúde, finaliza seu “argumento” com um festival de preconceitos. Um homem pobre não poderia chegar à Presidência da República? Num país que costumava ser de uma maioria paupérrima? E que graças a este metalúrgico e às “merdas” que disse por todos os cantos do mundo tem uma população basicamente de classe média? É por isso que Lula recebeu 17 títulos honoris causa só este ano, nas mais renomadas universidades do mundo? Dizendo “merdas”? Mais fácil o ilustríssimo professor não ter entendido bulhufas do que disse Luís Inácio, que é um homem simples e diz coisas através da linguagem do povo e para o povo.

Um homem sem dedo não poderia ser Presidente? (O Presidente assina com o dedo mínimo da mão esquerda? Não entendi.)

E essa do Lula ser analfabeto eu nem vou perder meu tempo pra explicar. Só vou comentar que minha avó tem a terceira série do primário e teria umas boas lições de humanidade a ensinar a este “professor” cheio de ódio e preconceito.

Ou você também só defende direitos humanos pra quem você “considera” humano?

Não gosto de muitos políticos, não gosto de banqueiros, não gosto de gente que esbanja e ri da pobreza, não gosto de luxo, não gosto de concentração de renda. Nem por isso desejo que ninguém morra. Desejo que eu possa viver para ver os seres humanos se tratarem com mais respeito e consideração, num mundo que de fato coloque em prática o que escrevemos há 63 anos atrás, na Declaração Universal dos Direitos Humanos:

“Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.”

Fica a dica

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