Grécia: O último Venizélos

Posted on 06/11/2011

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6/11/2011, Ayman-El-Caimã, Blog Coups de Dent, n. 147
http://kayman-coupsdedent.blogspot.com/2011/11/n137-grece-le-dernier-venizelos.html
(também em http://resister-art35.blogspot.com/2011/11/grece-le-dernier-venizelos.html)

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

O gordo Evangélos Venizélos[1], eterno rival de Georges Papandréou no seio dessa entidade ectoplásmica chamada Movimento Socialista Pan-Helênico [gr. PASOK] (partido ‘socialista’ grego, tapem o nariz), vê afinal chegar sua hora: o fracasso ejetará o primeiro-ministro do engraçadíssimo governo que brotará da Batalha da Grécia, que se trava em Atenas, mas, principalmente, em Paris, Berlim e Cannes.

Desde que Papandréou teve o incrível topete de anunciar um referendo sobre o “acordo de desendividamento” (?) armado pela dupla Merkozy escondida sob a máscara da eurozona, a dupla mais infernal da história moderna da Europa – Angie e Nikô – estão fazendo o diabo, ameaçando o socialista grego com as piores represálias, se se mantiver empacado em seu projeto de consultar o povo grego. Não se atrevam – ouviram-se os gritos no Eliseu e no Bundeskanzlei. Que ideia é essa de consultar os gregos? Os gregos são idiotas demais para compreender uma linha, que seja, de alta finança!
Nosso bom Geórgios imediatamente curvou-se ante os patrões, esqueceu o referendo, essa quimera, e prepara-se para fazer reverência de cabeça no chão. Sempre lhe restará a chance de escrever as próprias memórias: Memórias de uma Nulidade. A piada que circula em Atenas é que Venizélos será presidente e Papandréou… ministro da Economia.

Evangélos não é o primeiro Venizélos a arrastar a Grécia até a beira do abismo. O Venizélos que o precedeu, de nome (que belo nome!) Elefthérios (“livre”), mostra a cara nas moedas de 50 lepta (50 centavos de euro, em grego) e foi responsável pela catástrofe de Sangarios em setembro de 1921, quando a armada grega foi esmagada pela armada turca às margens do rio Sangarios, que os turcos rebatizaram como Sakarya, ao final dos três anos da guerra greco-turca. A derrota dos gregos abriria as portas de Smirna à cavalaria turca que regozijou-se numa bela carnificina de gregos. Os sobreviventes fugiram a nado e foram recolhidos por navios de guerra franceses.

Elefthérios Venizélos, até então herói nacional grego – começou sua epopéia pela libertação de Creta e entrou para a história oficial como o “fundador da Grécia moderna” – entrou, depois da derrota de Sangarios, na segunda parte de sua aventurosa biografia, dessa vez grande imbecil temporizador, com tendências golpistas. Terminou a vida miseravelmente, no exílio em Paris, em 1936.

A Grécia de 2011 está em situação que lembra aquela, de 1921: quebrada

O segundo Venizélos é personagem muito mais dedicado à trapaça que o primeiro. Novos tempos, novas práticas (Άλλοι καιροί άλλα έθιμα : ali keri ala etima)… Esse apparatchik modelo do PSOK, ocupou, entre 1993 e 2011, nada menos que oito diferentes ministérios. Fez de tudo: ministro da Cultura, da Defesa, da Justiça, da Imprensa etc. Teria alguma ideia sobre o que fazer para salvar a Grécia da máquina de moer eurozônica? Não, que alguém tenha percebido. A única coisa que não falta ao segundo Venizélos é apetite de poder. Perfeito necrófago.

Cabe ao povo grego desmentir o ditado: “se há dois, haverá três”. Os gregos não têm de esperar um terceiro Venizélos, personagem providencial que, sem que ninguém entenda como, retomaria as rédeas da carroça desgovernada em que se tornou a Grécia, antes que despenque, de vez, no abismo.
Os gregos têm de retomar o comando do próprio destino, como sempre souberam fazer nas horas mais sombrias de sua história e reencontrar o espírito verdadeiramente libertário dos klephtes, os “bandidos” irredentistas e os guerrilheiros da revolução de 1830. E dos kapétanioi, os guerrilheiros que resistiram à ocupação italiana, alemã e depois britânica, de 1942 a 1948. E dos estudantes insurgentes do dia 17 de novembro de 1973 na Escola Politécnica. Contarão com a ativa simpatia dos povos da Europa e do Mediterrâneo, inclusos os caimãs.

Ελευθερία ή θάνατος! (Eléfthéria i thanatos), Liberdade ou morte!

[assina] Ayman-El-Caimã [Αυμάν Ελ Καυμαν]
Voluntário das Novas Brigadas Internacionais para a Libertação da Grécia, NBILG

Seja como for, boa semana a todos! Que a Força do espírito esteja com vocês!
…e até a semana que vem.

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[1] Atual vice-primeiro ministro e Ministro da Economia da Grécia, desde 17/6/2011. É deputado pelo Movimento Socialista Pan-Helênico [gr. PSOK] e professor de Direito Constitucional na Universidade Aristóteles, de Tessalonica.

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