Operação Sinal Fechado e o Ceará: Uma organização com ação nacional

Posted on 10/12/2011

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No post anterior, em que falamos sobre algumas implicações da Operação Sinal Fechado em Minas Gerais, apareceu o nome de Cláudio Pinho, presidente do Instituto de Registro de Títulos e Documentos e de Pessoas Jurídicas do Ceará (CECAF).  Sua intenção era entrar no negócio de registro de veículos em Minas Gerais mas foi aparentemente preterido em favor de George Olímpio.  Vanuza Arruda promete-lhe uma saída alternativa, mas ele não fica muito feliz.

Mas para além dessa relação, há outras implicações cearenses no esquema fraudulento.  O vice-presidente do CECAF, Luís Cláudio Morais Correia, é sócio de George Olímpio em duas de suas empresas que participaram das fraudes descortinadas pelo Ministério Público: MBMO e DJLG.  Além disso, Daniel Maia, participante falecido do esquema, era o vice-presidente do CECAF.  Atualmente, a viúva de Daniel é a companheira de George Olímpio.  Daniel morreu em um acidente durante uma prova de automobilismo em 28 de novembro do ano passado.

Na foto, Daniel e sua esposa Juliana. Note que faziam campanha para o governador Cid Gomes

Talvez isso explique o interesse que o grupo tinha, ainda em 2008, em que o senador cearense Tasso Jereissati (PSDB) fosse o relator da Medida Provisória que, por fim, acabava com o registro de veículos em cartórios.  Em novembro de 2008, quando o grupo ligado aos cartórios foi fazer lobby com relação ao encaminhamento da MP 422, o genro de João Faustino, Marcus Procópio escreveu e-mail ao sogro para preparar a reunião com o presidente do Senado, Garibaldi Filho (PMDB).  Em determinado momento do e-mail, diz Marcus:

Aliás, caso não tenha sido designado relator para a matéria o ideal era que, num trabalho posterior conseguíssemos que o Presidente do Senado designasse o Senador Tasso para relatá-la, mas sobre isso falamos depois.

Não é por acaso, evidentemente, que o grupo deseja a relatoria de Tasso Jereissati, embora ainda não tenha se estabelecido, ao menos nos documentos públicos da investigação, que relação pudesse ter o ex-senador com o grupo dos cartórios.  Não dá nem para saber se em sua campanha de 2002 Tasso recebeu doação já que sua prestação de contas atribuía todas as receitas ao Comitê Financeiro.
O concreto é que há o estabelecimento do registro veicular também no Ceará.  Tal informação aparece, por exemplo, na transcrição de um e-mail de Marcus Procópio a George Olímpio, em 18 de julho do ano passado.  No e-mail está anexada uma reportagem da Tribuna do Norte sobre a recomendação do Ministério Público para a suspensão da taxa para financiamentos que cita o Ceará como um dos estados que cobra a taxa.
No entanto, assim como no RN, a organização planejava ampliar a ação fraudulenta no Ceará, operando a inspeção veicular.  Em 26 de setembro, em um telefonema capturado, George informa a João Faustino que estava em Fortaleza.  O Ministério Público descobriu que pelo menos desde maio a organização negociava com o governo do Ceará, “devendo”, diz a denúncia, “o ‘negócio’ [da inspeção veicular] estar em vias de concretização ou já aperfeiçoado”.

Marco, com endereço em Aracaju, também tem relações e negócios no Ceará.  Ao retornar de viagem no dia 17 de outubro, George fala com Juliana Falcão para pegar um telefone de Marco no Ceará.  Além disso, Marco, lobista, foi preso no RS.
Aí a gente volta à foto da denunciada Juliana Falcão ao lado de seu marido morto, Daniel.  Estavam em plena campanha por Cid Gomes.  Juliana é, atualmente, a namorada de George Olímpio.  A foto, em um comitê de campanha, demonstra, no mínimo, “afinidade”ideológica entre o governador Cid Gomes (PSB).  Será que é somente isso?  As perguntas sobre os braços cearenses da organização desbaratada pela Operação Sinal Fechado ainda estão por serem feitas.

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