Operação Sinal Fechado: Bocas fechadas

Posted on 11/12/2011

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Pouco a pouco a imprensa vai calando sobre as investigações das fraudes reveladas pela Operação Sinal Fechado. Não é de se estranhar.
O próprio governo do estado calou sobre o assunto, inclusive no que se refere à situação do atual diretor-geral do Detran, Érico Ferreira, denunciado pelo Ministério Público.  Mais de uma semana depois, Érico continua diretor.
Os leitores desse blog sabem que as ramificações políticas, segundo os indícios que já são apontados na petição e na denúncia do MP, vão além das responsabilizações dos ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira, do PSB.  Aliás, vão além das nossas fronteiras estaduais, com fortes implicações pelo menos no Ceará, Minas Gerais, São Paulo e Alagoas; além da comprovação de que a organização criminosa doou cerca de R$ 500 mil à campanha de reeleição do ex-governador paraibano, José Maranhão (PMDB), na esperança de conseguir fechar o negócio de inspeção e registro de veículos naquele estado.

Por que o governo do estado do RN silencia?  Por que a imprensa não aprofunda, como seria seu papel, as informações que estão nos documentos da investigação tornados públicos?
Para mim, a resposta é simples.  As investigações apontam indícios contra muita gente poderosa de primeiro escalão da política do RN, além de empresários e mesmo gente da imprensa.  Os promotores da defesa do patrimônio público fazem um trabalho primoroso de investigação, mas a denúncia contra o “andar de cima” não depende deles, ainda que seja necessário que, no seu trabalho, possam levantar provas e elementos suficientes.  Há inegavelmente situações políticas a serem superadas antes que essa denúncia se efetive contra quem tem foro privilegiado.  E para isso, a pressão da opinião pública seria fundamental.  Assim, nada mais fácil para atrapalhar o trabalho bem feito pelo Ministério Público do que esvaziar o assunto na mídia.  Ninguém fala mais sobre isso, a opinião pública passa a desconhecer os detalhes mais importantes sobre a investigação.  O governo não fala e pode, junto com as empresas que estão envolvidas, controlar a imprensa por meio de suas verbas publicitárias.  Pouco a pouco, o assunto vai morrendo nos jornais.  As bocas se fecham e ninguém mais se importa em saber se Rosalba, José Agripino, Carlos Augusto Rosado ou algum desembargador estão envolvidos nas negociações para manutenção das fraudes operadas por essa organização criminosa.  E se receberam ou iriam receber algo parecido ao que foi supostamente pago a Iberê, Wilma, Lauro Maia e João Faustino.
Os promotores, assim, precisam ir até o fim em suas investigações e o sigilo das informações, quando possível, levantado.  Fora alguns trechos, por exemplo, ninguém conhece o conteúdo dos depoimentos daqueles que foram presos.  E até agora o MP somente pôde divulgar uma pequena parte de cerca de um sexto dos documentos apreendidos no dia 24 de novembro.  O que ainda está por vir como resultado da Operação Sinal Fechado?  Particularmente penso que estão por vir coisas com potencial de mudar a história do RN – mas coisas que estão sendo solenemente ignoradas por parte da imprensa e, consequentemente, pela opinião pública.
A dimensão da organização é um poderoso cala-boca.
Mas o que vai acontecer se elementos suficientes forem levantados contra poderosos do estado – mesmo de outros estados?
Salvo engano, os promotores somente podem representar contra desembargadores no Conselho Nacional de Justiça.  Segundo as informações já divulgadas, há possíveis comprometimentos, na Operação Sinal Fechado e na Pecado Capital, de dois desembargadores: Saraiva Sobrinho e Expedito Ferreira.  Se houver provas contra eles, deverão ser encaminhadas ao CNJ.
Se forem comprovadas irregularidades atribuídas à governadora Rosalba Ciarlini (DEM) caberá ao Procurador-Geral de Justiça oferecer a denúncia. Era desse modo, também, no que se referia à Pecado Capital sobre o envolvimento de deputados estaduais nos crimes investigados e denunciados, antes que o caso fosse transferido à esfera federal.  Se houver envolvimento de senadores – e pelo menos três podem estar envolvidos -, a denúncia caberá ao Procurador-Geral da República.
Fontes me têm dito que há personagens não denunciados que dominam as páginas e transcrições das operações Pecado Capital e Sinal Fechado muito tranquilos.  No que se refere à Sinal Fechado, duas fontes diferentes me informaram que teria havido um jantar, dias atrás, entre o Procurador-Geral de Justiça e o primeiro-cavalheiro, Carlos Augusto Rosado.  O objetivo seria blindar autoridades do atual governo, especialmente a própria governadora, das investigações.  É cedo para falar sobre isso – ainda não há elementos que justifiquem qualquer ação, mesmo que esteja bastante claro que a organização criminosa negociou com o governo e tal negociação chegou a bom termo.  Em fevereiro, a inspeção veicular iria ser retomada.  Além disso, o governo já havia renovado o contrato com a Planet Business para o registro de veículos e, provavelmente, renovaria outra vez como resultado da licitação que aconteceria no dia 25.  No entanto, a informação repassada pelas fontes é importante.  Merece um posicionamento por parte do MP.

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