Conselheira rejeita Lei Câmara Cascudo para a Casa da Ribeira

Posted on 21/12/2011

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Parece perseguição política.  Postei aqui o desabafo de Gustavo Wanderley sobre o parecer dado pela Conselheira Daniele Brito em que reprovou o concessão do certificado da Lei Câmara Cascudo para o Projeto Cena Aberta, da Casa da Ribeira.
Abaixo segue o parecer da conselheira.

Além de Gustavo, Henrique Fontes, outro dos diretores da Casa se manifestou pelo Facebook.  Henrique lembra que o dinheiro da pauta é a “única forma de manter a Casa e não temos como repassar este valor para o artista que não tem como pagar”.
O foco principal do projeto Cena Aberta é formação de público.    Por isso, justificam os diretores, o valor destinado a aluguel de ônibus é maior que aquele destinado aos artistas.  Esse ponto foi criticado por Daniele em seu parecer no item 2.  
O custo da pauta foi criticado.  Segundo a observação na própria planilha, cada ator do projeto ficará com R$ 500,00 – um total de R$ 2,5 mil.  O restante servirá para cobrir a pauta dos 72 espetáculos.  A conta é alta, mas quem conhece o trabalho da Casa sabe que se cobra um ingresso de R$ 10,00 em um espaço cuja manutenção é elevada.  A bilheteria não sustenta a Casa da Ribeira.  Isso sempre foi muito claro desde que o projeto Cena Aberta foi apresentado em Natal – e eu estive no seu lançamento: o projeto é a estratégia que a Casa da Ribeira tem de se manter aberta e realizando os projetos, como o ArteAção, e as iniciativas que tentam contribuir para impulsionar a cultura da cidade.
“Essa comparação com o TAM é ridícula porque eles não se mantém com pauta, nós sim”, me disse há pouco Henrique.  “A Danielle está querendo confundir as pessoas. Nós dependemos da pauta pra funcionar. Pagar despesas da ordem de R$ 16 mil por mês”, explicou.  O TAM é mantido diretamente com dinheiro do Estado e sem prestação de contas.  São 70 funcionários.  Certamente os R$ 400,00 da pauta não cobrem seus custos.
Visto dessa forma, o valor de pauta se transforma em R$ 11,7 mil por mês.  Ainda assim não faria frente aos custos.  Ainda mais se entender que se referem a 300 horas de ensaio e mais as 72 apresentações – em oito meses de atividade.  O valor só é alto se você quiser vê-lo assim.  Ou, dito de outra maneira, a depender do ponto de vista que se empregue.  Por isso, justifica-se o que disse Gustavo no desabafo: “Falar que a verba destinada as pautas da Casa da Ribeira ‘fica entre os sócios’ é no mínimo desconhecer como a Casa funciona”.   
O comentário que ouvi de um músico da cidade hoje à noite é que a nossa gestão cultural está cada vez mais fechando as portas para a arte local, enquanto se abre para a arte importada. Não à toa, me lembro daquele comentário que Sérgio Vilar ouviu na Fundação José Augusto criticando os artistas por pretenderem viver de arte em Natal (!).
 A Casa disponibilizou um gráfico que aponta os recursos que recebeu por meio da lei de incentivo nos últimos anos:
Independente dos motivos apresentados pelo Conselho, o cerne da questão, nos finalmentes, é que perdendo o incentivo da Lei de Cultura a Casa da Ribeira corre, mais uma vez, o risco de fechar as portas.
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