Contra o cinismo trágico 

Posted on 21/05/2015

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O cinismo trágico olha o futuro e diz, sem esperança, que não tem jeito. Olha a política e a demoniza – como se ali não houvesse quem tem real compromisso com o povo, com a mudança. Tenho orgulho de admirar muitos políticos que se pautam pela coerência.

Tenho real felicidade de ter a amizade de alguns deles, como Fernando Mineiro e George Câmara.

Mas o que mais me incomoda no cinismo trágico referente à política é sua incapacidade de perceber que a responsabilidade política é de todos nós – não somente dos eleitos e representantes. Políticos somos todos nós. 

Quando esquece isso, o cinismo trágico reafirma seu descompromisso com a vida da cidade, com as causas dos outros, com as lutas por um mundo melhor. Não lhe resta nada, a não ser uma vida e morte ensimesmadas. Um cadáver, um corpo morto, bem representa a imagem. “Vou cuidar da minha vida” e se esquece que tudo que ele/ela deixou de lado se voltará invariavelmente contra si.

Não lhe diz respeito a criança sem escola, a família sem teto, o trabalhador sem terra? Tudo que é capaz é seu grito indignado? O que fará quando tudo isso se converter em violência – dos sujeitos ou do estado – contra si?

A luta não lhe diz respeito? Sempre diz. Porque se não for agora o será quando a arma estiver apontada contra você, como denunciou a cena final do incompreendido Tropa de Elite.

É mais triste, para mim, quando essa postura parte dos que dizem seguir a Cristo, afirmam conhecer o Evangelho do Reino, porque tais mensagens são sempre utópicas palavras de esperança. O desespero do cinismo trágico me diz que tais pessoas não entenderam a mensagem, a esperança nem a utopia.

Quando me entendo como essa parte do todo da política entendo e lamento minha responsabilidade quanto a eleição de Felicianos, Cunhas e Rogerio Marinho. 

É minha responsabilidade porque eu sou parte desse processo político. O que a ideologia mais gostaria é que eu fosse ingênuo, um sujeito assujeitado, incapaz de se importar com isso e, portanto, perceber minha própria responsabilidade e participação nisso.

É o discurso: “Eu sofro as consequências mas não tenho nenhuma responsabilidade nisso”. 

Lamentavelmente tenho. Sou parte disso. Espero nunca me esquecer.

Espero que você também perceba.

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Posted in: Política